
Sobre a busca da felicidade.
Tentamos a todo custo compreender por quais vias ela pode ou não ser conseguida e a cada previsão que fazemos sobre como obtê-la, formulamos hipóteses e as vezes concretizamos com ações que nos levam a um segundo plano, ou seja, a sensação de que conquistamos o que queríamos. Por fim, descobrimos a todo instante que essa sensação desaparece com o menor indício de uma problemática às nossas previsões e então, tudo se desmorona como uma brisa que sopra em um castelo de cartas marcadas. Não obstante, determinamos que aquela não era a felicidade que buscávamos, pois se ela é “eterna”, então ela ainda não foi alcançada.
Veja bem, na vida, sei que todos os seres tiveram e acredito que terão a caracterização da felicidade em mãos, mas que algo no “destino” quis que fosse assim e deste modo, pulamos de galho em galho feito bichos buscando por um novo alimento que nos afugente a fome e/ou necessidade disso..porém...quando se finda, temos que continuar a saltar.
Como exemplo de um ensaio pequeno, quase ínfimo, tomo os relacionamentos entre os seres e a busca pela idéia de uma felicidade plena.
Todos somos seres completamente diferentes. Os gêmeos, por mais idênticos e univitelinos que sejam, possuem em sua composição psicológica gostos e pensamentos distintos e em seu físico vozes inigualáveis e impressões digitais inteiramente únicas e não compatíveis, sequer comparáveis. Vejamos o caso de se ter um irmão, irmã ou a nossa própria mãe. Somos seres completamente diferentes. Então o que nos liga a essa pessoa à vida inteira? Será apenas a relação de consaguineidade ou alguma coisa atua para que isto ocorra, das maneiras mais inusitadas possíveis? Peço um pouco de calma pois tal assunto requer um pouco mais de luz e quando a maior parte das sombras estiverem dispersas, darei meu consentimento final sobre.
Bem, sei que na busca do outro, particularizamos certas coisas que nos são demasiadas importantes como gostos, crenças, vontades, visões, objetivos e por assim em diante. Seria um caso interessante na conquista dessa tal felicidade plena e imbatível. O que não nos ocorre, é que este outro pensa da mesma forma e tem as suas convicções. Então, o que resta será o choque de egos e quando isso não ocorrer, alguma coisa, em algum instante, o fará.
Então, o que nos dá a sensação de que a busca da felicidade em um relacionamento, ocoreria com pessoas com algumas convicções iguais?
Mudamos a cada momento, a cada segundo, a cada fração de um milésimo de tempo. Como poderemos compatibilizar-nos com a idéia de um segundo “eu”?
Sim, sei que existem pessoas com o mesmo gosto para filmes, esportes, arte, religião..o mesmo paladar para sentir que um alimento agrada às nossas glândulas salivares e outros não, o mesmo objetivo na vida por um futuro próspero para todos, a mesma convicção de obter uma quantia que nos dê segurança na vida e para quem amamos.
Porém, há algo muito mais importante que todas essas pequenas coisas, particularidades fúteis e chulas, que se moverão a cada instante como o ser flexível e passível de novidades que somos: caráter.
Isso não se modifica, não está a venda, não pode ser adquirido em livros ou cultura, não pode ser transferido...somente idealizado. O caráter, guiado pelo espírito e pelo crivo da razão é o que distingue o bom do mal, o belo do horrendo, o sublime do trágico.
Você pode encontrar milhões de particularidades em alguém que você se interesse e se identificar com todas mas a pergunta que sempre devemos nos fazer é: o caráter dessa pessoa pode ser medido? Sim. E se não for do meu agrado, ele pode ser modificado? Não.
Mede-se um caráter pela fidelidade que ele presta, a reação que nele provoca de um simples agrado a quem ama e representa algo para ele e em inúmeras coisas e por fim, no respeito que conferimos ao outro e a compreensão de que para a conquista de um bem maior, depende da vontade de cada ser nas privações e sacrifícios.
Deste modo, penso que a superioridade do ser deve ser medido pela força de sua vontade e pela grandeza de seu caráter.