carnage


Terça-feira , 27 de Maio de 2008


Ao chegar em casa eu disse a ele:

- Querido, sei que anda meio distante, cabeça nas nuvens e nossos lençóis vivem sempre arrumados mas... sobre a presença de sua ausência...foi algo que eu tenha feito ou dito?

- Veja bem, não sei a melhor maneira de lhe dizer isso mas espero que sirva de lição: Nunca confie em homens de fala mansa, belos sorrisos e dinheiro trocado.

Escrito por Dramatis Persona às 03:28 PM
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Sexta-feira , 28 de Março de 2008


Há 40 dias, e um punhado de horas eu não me sentia tão feliz como às 11:00 da noite de 24 de março de 2008, com uma quantidade considerável de chocolate, meia taça de vinho tinto e um filme de horror na t.v.

Sabe, algumas pessoas dizem que somos sábios na infância. Não sei ao certo sobre isso, mas acredito que nunca mais veremos as coisas tão claramente. Quando um beijo não tinha preço, nem sua duração pressa e o maior dos problemas eram as notas vermelhas no boletim da escola que requeria a assinatura dos pais. Então a gente fica um pouco mais perspicaz (por assim dizer) quanto às sensações furtivas e ações intemperadas. Porém, o amor só começa realmente a ser cruel quando percebemos a sua finitude. Sem filmes, novelas...sem beijo no final. Sem casas com cercas brancas e balanço na varanda. Perseguimos aquilo que nos foge, não é mesmo Heidegger? Mas sabe lá...e termino em reticências! Talvez por medo de notar algo a mais ou por temor de não haver nada mais para que seja notado.

...então encho a taça ao meu lado até a metade, parto um pedaço do doce e me preparo para o desfecho do filme, seguido de um sorriso amarelo e minhas meias palavras de sempre:...sabe-se lá...!  

Escrito por Dramatis Persona às 01:38 AM
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Sábado , 01 de Março de 2008


Sobre a busca da felicidade.

Tentamos a todo custo compreender por quais vias ela pode ou não ser conseguida e a cada previsão que fazemos sobre como obtê-la, formulamos hipóteses e as vezes concretizamos com ações que nos levam a um segundo plano, ou seja, a sensação de que conquistamos o que queríamos. Por fim, descobrimos a todo instante que essa sensação desaparece com o menor indício de uma problemática às nossas previsões e então, tudo se desmorona como uma brisa que sopra em um castelo de cartas marcadas. Não obstante, determinamos que aquela não era a felicidade que buscávamos, pois se ela é “eterna”, então ela ainda não foi alcançada.

Veja bem, na vida, sei que todos os seres tiveram e acredito que terão a caracterização da felicidade em mãos, mas que algo no “destino” quis que fosse assim e deste modo, pulamos de galho em galho feito bichos buscando por um novo alimento que nos afugente a fome e/ou necessidade disso..porém...quando se finda, temos que continuar a saltar.

Como exemplo de um ensaio pequeno, quase ínfimo, tomo os relacionamentos entre os seres e a busca pela idéia de uma felicidade plena.

Todos somos seres completamente diferentes. Os gêmeos, por mais idênticos e univitelinos que sejam, possuem em sua composição psicológica gostos e pensamentos distintos e em seu físico vozes inigualáveis e impressões digitais inteiramente únicas e não compatíveis, sequer comparáveis. Vejamos o caso de se ter um irmão, irmã ou a nossa própria mãe. Somos seres completamente diferentes. Então o que nos liga a essa pessoa à vida inteira? Será apenas a relação de consaguineidade ou alguma coisa atua para que isto ocorra, das maneiras mais inusitadas possíveis? Peço um pouco de calma pois tal assunto requer um pouco mais de luz e quando a maior parte das sombras estiverem dispersas, darei meu consentimento final sobre.

Bem, sei que na busca do outro, particularizamos certas coisas que nos são demasiadas importantes como gostos, crenças, vontades, visões, objetivos e por assim em diante. Seria um caso interessante na conquista dessa tal felicidade plena e imbatível. O que não nos ocorre, é que este outro pensa da mesma forma e tem as suas convicções. Então, o que resta será o choque de egos e quando isso não ocorrer, alguma coisa, em algum instante, o fará.

Então, o que nos dá a sensação de que a busca da felicidade em um relacionamento, ocoreria com pessoas com algumas convicções iguais?

Mudamos a cada momento, a cada segundo, a cada fração de um milésimo de tempo. Como poderemos compatibilizar-nos com a idéia de um segundo “eu”?

Sim, sei que existem pessoas com o mesmo gosto para filmes, esportes, arte, religião..o mesmo paladar para sentir que um alimento agrada às nossas glândulas salivares e outros não, o mesmo objetivo na vida por um futuro próspero para todos, a mesma convicção de obter uma quantia que nos dê segurança na vida e para quem amamos.

Porém, há algo muito mais importante que todas essas pequenas coisas, particularidades fúteis e chulas, que se moverão a cada instante como o ser flexível e passível de novidades que somos: caráter.

Isso não se modifica, não está a venda, não pode ser adquirido em livros ou cultura, não pode ser transferido...somente idealizado. O caráter, guiado pelo espírito e pelo crivo da razão é o que distingue o bom do mal, o belo do horrendo, o sublime do trágico. 

Você pode encontrar milhões de particularidades em alguém que você se interesse e se identificar com todas mas a pergunta que sempre devemos nos fazer é: o caráter dessa pessoa pode ser medido? Sim. E se não for do meu agrado, ele pode ser modificado? Não.

Mede-se um caráter pela fidelidade que ele presta, a reação que nele provoca de um simples agrado a quem ama e representa algo para ele e em inúmeras coisas e por fim, no respeito que conferimos ao outro e a compreensão de que para a conquista de um bem maior, depende da vontade de cada ser nas privações e sacrifícios.

 

Deste modo, penso que a superioridade do ser deve ser medido pela força de sua vontade e pela grandeza de seu caráter.

Escrito por Dramatis Persona às 03:24 PM
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Terça-feira , 25 de Setembro de 2007


 

Rumor.

Uma fotografia imprecisa, imperfeita e mal focada de uma impressão sensorial (ou um capricho do próprio ego de quem o divulga) que, quanto mais for transmitido, adquire nova forma e aspecto devido ao efeito diverso que a idéia formatada por uma nova percepção e imaginação de uma nova pessoa e seu viés psicológico recepcionam esta suposta realidade, até que tudo se distorça e se transforme e/ou remeta a um novo ciclo, dado o produto inicial, ou seja, a um novo boato.

Na ciência, quando se busca um sustentáculo ou embasamento em que se possa contar para o desenvolvimento de uma nova teoria ou pelo menos, mesmo que uma leve perspectiva do que poderia ser uma linha de pensamento...nunca, eu digo, nunca sorva das águas dos açudes ou leitos fluviais...busque a fonte.

É mais fácil, confiável, lógico e racional.

Porém, tenha sempre um plano B após realizar tal ato (mas somente após), caso algo não se sustente ou as provas se intercalem.

Isso gera menos complicações para todas as partes envolvidas e demonstra, na pior das possibilidades, o caráter de cada um.

Bem...nem sempre necessariamente na mesma ordem dos que se encontram na trama em questão mas o que pode acarretar, como de fato, é a diferença entre quem se parece culpado ou quem acaba por se torna um.

 

Ponto: Segredos podem ser muito perigosos.

...e assim, destrói e desfaz-se tudo.

...tudo em rumor, segue sem rumo...

 

 

 

Escrito por Dramatis Persona às 11:33 PM
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Sexta-feira , 20 de Julho de 2007


Crianças correndo nas praças, sorvete gelado, brisa fresca brincando com nossos cabelos e nos vem a insensata certeza de que amanhã será não somente assim, mas ainda melhor.

Pena! As crianças se cansaram dos mesmos brinquedos e em vez de se lançarem a novos, temem a probabilidade de um rasgo na carne e só jogam olhares desejosos a tal objeto, conformando-se com aquele em que eles já sabem usar e conhecem seus riscos.

O doce gélido fica exposto demais ao calor que emana de tudo e modifica seu formato primeiro pois sua energia em permanecer intacto é menor e menos potente que os raios, sem culpa ou temor, se voltam contra tudo que outrora pairava em seu caminho. Porém o sorvete será sempre sorvete, não mais na mesma forma, mas em sua essência...triste demais ninguém ver isso.

O vento que em outro instante refrescava e nos dava a sensação de prazer agora sopra forte demais e com sua velocidade e força, mesmo a contra gosto de nossas vontades, traz fragmentos, poeira, terra...e os nossos olhos não vêem mais tudo com tal clareza e distinção e mesmo assim não se percebe que as estações existem, mesmo em nossos corações.

Empunhemos então as espadas em riste! Ao mesmo tempo e com semelhante encanto! Injusto dizer: "Avante!"...e manter sua arma na bainha. É como abrir o peito ao golpe, enquanto o outro já possui um escudo que fora cunhado enquanto o outro dormia (ou não). Ou lutemos com as mesmas armas, ou caminhemos a um só passo, mesmo em sentidos opostos, cada qual à sua morada.

Meu braço agora se cansa em ficar levantado a tal altura...já é noite...não tinha percebido...e me dou conta então de que o aço de minha espada está mais frio do que a mesma poderia propiciar a tal material.

Escrito por Dramatis Persona às 03:01 PM
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Sábado , 02 de Junho de 2007


  

Tentando não mais morrer o dia inteiro, quando sequer consigo evitar a necessidade - quase que inerente - de buscar seu semblante em qualquer parte que seja, tão somente para mutilar meu coração e espírito, quando me lembro de cada pedido engasgado para tocar-lhe as mãos, beijar-lhe a face e assumir a simples responsabilidade que me coube em respirar seu nome e conspirar contra todos os outros. Oh!, peça maldita...que em incontáveis atos, teima em não atingir seu ápice, seja este para receber nem que seja uma blasfêmia de tua boca ou sorver do cálice de sua companhia, a dose cavalar de cicuta que é preciso para que este personagem possa logo se dissipar na agonia em que vive, desde o ultimo conselho sobre "As paixões da alma" e compreender que nossos caminhos sempre foram transversais, e não paralelos como imaginávamos.

Coração gelado este,

que mesmo encontrando um refúgio que aquece

insiste em "por quês?" e então não esquece

que o passado foi feito para enquanto o viveste?

 

Oh! Infindável ternura não vês,

que o espetáculo de dor somente acontece

enquanto tu dormes e tudo anoitece?

...e então finjo sorrir quando vejo nós três!

Escrito por Dramatis Persona às 07:41 PM
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Quarta-feira , 28 de Fevereiro de 2007


Não posso culpá-la por esquecer o que me faria sentir que existo, se lembrar que havia alguma história guardada em segredo entre nós, das lágrimas que correram por noites afora cuja finitude destas nunca se dá por algum motivo qualquer que seja...se... no entanto... já havia ouvido de sua alma que o que há entre nossos corpos não valia nada mais que tão somente algo que poderia ser escondido entre arbustos densos para que ninguém percebesse e então não houvesse a menor possibilidade de lutar para que fossem arrancados quaisquer poucos galhos com o intuito de que enxerguemos o que existe entre nós e resistamos juntos ao mundo que desaba sem cessar mas que nossas mãos enlaçadas teimam em não soltarmos um ao outro, e agora quem solta é você.

Sinto ser tão subjetivo em tudo isso e me importar tanto com sua vida. Quem sabe ela é um pouco minha também e eu que a tomo maior que a minha própria? Você nunca mentiu sobre tudo ser assim mesmo e que viver dessa forma era o que você sempre se propôs a fazer. Foi por pouco! Eu que julguei que nos últimos dias tudo poderia ter sido mais democrático e você percebesse que erguer certas bandeiras e punhos fechados sempre deturpará o próprio regime que se constrói em meio a flores e radicalismos, esquecendo que todo sistema contem em si mesmo o gene de sua própria destruição.

Mas voe, voe até não poder mais. Gostaria muito de te acompanhar mas não creio que há alguma viagem onde se faz de fora da nau ou que para participar eu me faça de clandestino nesse navio onde eu poderia velejar sem querer transformar com minha tristeza a água em sangue e ao chegar a ilha que almejas eu não desfrute de nada além da areia e pedras que fora uma das poucas coisas que tentei deixar ao longo de nossa jornada mas que você imputava-me sempre a cada nuance de realismo com que se referia a mim. Mas voe, voe que observarei...como sempre o fiz!

E quando pensar a respeito, busque-me somente quando eu for maior que um punhado de defeitos que quando se aperta nas mãos, teima em escorrer por entre os seus dedos, como se você não pudesse contê-los em comparação aos que tentamos engolir por tempos em meio a abraços sinceros e beijos doces de um tal boa noite que nunca fora tão boa quando nos propusemos a dispor dela.

Mas busque-me, alcance-me quando surtir maior efeito que tão somente o prazer momentâneo de conversar aos ventos, comparações épicas e memoráveis sobre as virtudes dos que a cercam em quilômetros mas que sempre se descarta todo um mundo que vive embrulhado em papel vermelho deste que existe em metros, centímetros, milímetros e que insistes em não observar o quanto tudo isto é tão singelo e sutil que de tão leve se perde, se perde e pede por um algo recíproco que teima em não acontecer. Contudo, estes nossos passeios curtos pela noite que se encerra sobre nós, sempre vem a se pôr em mim e me matam com cada gota de cianureto que sorvo em seus lábios por segundos que sejam, mesmo que este veneno não seja desferido por ti letalmente mas por uma precaução que teima em não se desfazer após todas as taças de vinho que colhi de minhas veias...como bem o sei, oh, minha eterna bacante! E sigo com o mesmo coração turvo e iluminado a cada colher desse seu sorriso que me consterna a alma e me arranca o resto de bom senso que ainda possuo! Espero que a febre passe, como espera!

P.S. Promessa é dívida!!

Escrito por Dramatis Persona às 10:20 AM
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Sábado , 03 de Fevereiro de 2007


Será que muita gente já parou para pensar se algum dia já viram uma framboesa? Sim, pode parecer meio irracional pelo teor e concepção do assunto, desprovido de quaisquer pretensões terminológicas sérias acerca do assunto em questão mas será que você, caro leitor, tem certeza – ou pelo menos a mais remota convicção – que já visualizou uma dessas frutas quase que mitológicas que parece somente existirem em definições ou determinações no âmbito semântico, por algum motivo qualquer que valha a divulgação de tal sabor criacionário somente em nossos desejos contidos que nos são apresentados como se houvessem tantas frutas destas na mesma proporção que há pinhas, romãs ou extrato de própolis em qualquer quintal de conservação duvidosa devido ao aspecto das cores que se apresentam como foscas e destituídas da mesma pigmentação encontradas em cartões postais vendidos nas praças da cidade...vai saber...por qualquer que seja o motivo de tantas discrepâncias acerca do que nos é proposto quando se fala em sonhos utópicos e toda a beleza e magnitude que se torna o amor em bocas lascivas e contos principescos onde o cavalo alvo e de crinas esvoaçantes só existem em contos de fadas, fadas fadadas a finitude como qualquer sonho que se preze, interrompido por nuances dessa realidade que nos impede de acreditar que algumas portas ainda devem ser abertas.

Porém, esse pequeno objeto (a framboesa) me inspira delicadeza, perfeição em sua forma abóboda e similar a uma colméia por suas camadas casulos de pigmentação escarlate, mesmo que eu tenha consciência que para mim ele ainda somente existe em tese ou em vislumbres fantásticos onde posso por vezes sentir que o sabor de tal elemento é amargo e aftoso como tudo que é teoricamente perfeito.

Ele existe? E se existe, porque nunca esteve ao alcance comum, uma vez que não se trata de uma iguaria ou algo que o valha, dado o conhecimento tão popular de determinado o objeto?

Então se torna um "algo" tão subjetivo que não posso deixar de compará-lo àquele sentimento invisível e irracional onde tudo é determinado por sabores que não se pode determinar com clareza seu verdadeiro teor, cuja a única constância se perpetua somente em seu termo, sua coloração vermelha e iconizada em um objeto que se assemelha muito a da "tal" framboesa, exceto pelas artérias e veias que desferem sangue para a matéria carnal que o envolta.

Teoricamente, semanticamente e sem definição...ambos se encontram em dicionários e em explicações mirabolantes...mas ainda não se vê, não há paladar e são deixados de lado por preguiça ou simplesmente comodismo por não se pensar a respeito. Ah, framboesa! Por que se apresenta de forma tão bela? Será um ataque furtivo onde desvio por segundos meu pensar em sua estrutura singela e doce e você me lança seu azedume por baixo da língua durante o meu sorrir?

Escrito por Dramatis Persona às 01:27 PM
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Terça-feira , 07 de Novembro de 2006


Aristóteles afirma que a duração apropriada de uma tragédia é aquela que permite que nas ações – sucedidas com coerência e de acordo com a necessidade – se passe do infortúnio à felicidade ou da felicidade ao infortúnio. Cômico e trágico ao refletir que ser coerente não implica necessariamente em uma necessidade e qual a verdadeira razão da felicidade, se a mesma já nasce e se encontra fadada ao infortúnio? Extirpa de mim esse vírus maldito que me leva a ser benevolente, insensato, inconseqüente, preocupado e vulnerável, apreciar momentos inesperados de um "estimo melhoras" ou relembrar um momento sequer em que guardei um lugar ao meu lado para você. Me ensina a não se importar com isso ou nada? Me mostra como posso simplesmente deixar de lado o que sinto por capricho de um ego feito de pó que só teme a brisa do tempo? Quero viver muito bem...assim...bem assim como você. Retiro então o telefone do gancho para minha primeira aula sobre como me trancar para qualquer semblante... mas ainda não consegui desprender minha atenção da caixa de mensagens.

Dica do dia - ou se preferir - sorte de hoje: Seja amargo com qualquer rompante de afeto.

Escrito por Dramatis Persona às 05:02 AM
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Quinta-feira , 02 de Novembro de 2006


São 2:47. Meu corpo gira, tateia, procura abrigo no vazio deste lençol que cheira a displicência e ainda insiste em mantê-la personificada pela forma que seu corpo empregou ao mesmo. Mas minha bandeira sempre fora hasteada contra a efemeridade e avessa às sensações desprovidas de um sentido maior que tão somente a necessidade instantânea de carinho, em lugar da solidão do momento em questão. Então, indago sobre o motivo pelo qual aguardo tão ansiosamente sua chegada após tudo o que já fora dito. Será o desejo de vê-la se arrepender por tudo ou o simples e malévolo querer que isso aconteça para desferir em riste o punhal da indiferença que luto para lhe cravar no peito quando nos reencontrarmos? Busco então defeitos em suas virtudes e os que já são visíveis, preservo-os, caso surja uma nova maneira de ser reduzido por um abraço mais demorado ou um toque qualquer em que sua face se torne rubra e a minha se incendeie da vergonha em saber que nunca serei tão forte a ponto de te empurrar para longe de meus afetos. Onde foi que deixei aquele livro em que me fundamentei para construir meu antigo mundo repleto de amores loquazes, beijos épicos e sorrisos brilhantes, desenhados em massa de modelar para que a cada estação de minha alma eu pudesse modificar as feições de meus personagens e viver a inconstância de tudo, para dar vasão às minhas febres platônicas? Busco-os então nos arquivos dessas prateleiras cheias de pó, teias e coisas velhas que se encontram em mim mesmo.

Escrito por Dramatis Persona às 01:56 AM
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Segunda-feira , 02 de Outubro de 2006


Como pode alguém desferir tamanho descaso à face que buscou luz em seu sorriso durante a penumbra que seguia à noite que habitara em nossos corações durante tanto tempo? Todos os toques, olhares, insinuações, nuances de uma vida em parcial perfeição. Elogiada por literatos e transeuntes, desejada por poetas e mortais, invejada por amigos em rostos familiares e destruída por caprichos efêmeros em lugar da vicissitude dos apelos ao verdadeiro motivo de se compartilhar um abraço tão singelo e carente quanto o nosso. Mas deixa assim! Ás vezes, não foi nada demais! Por decerto que um toque seja apenas o encostar de sua pele á minha, os dedos se enlaçam de ambas as mãos em uma luta pelo lugar de destaque no centro das palmas mas são só deslizes ao comodismo e ao descanso de toda agitação da vida semanal. A gente se "esbarra" então. Não foi nada e ao mesmo tempo foi tudo. Engole a seco. Mas eu não. Sim, senhor! Eu não! Não compreendo o que foi tudo aquilo. Deita! Fica mais um pouco! Deixei-lhe uma gaveta para guardar seus pertences quando quiser vir brincar com minha alma pelas tardes dos domingos. Minhas vestes já se banquetearam com seu cheiro e agora esperam saudosas por novo encontro. Deixei tanto para me dedicar a seus caprichos e defeitos que me esqueci de minhas qualidades e as afastei de mim mesmo, sentindo o horror do marasmo na incompletude de seus supostos beijos saudosos e abraços fervorosos. Mas então acordo em uma noite e tateio pelas laterais buscando seu calor e sinto o frio que somente via passar, atravessando a calçada em que passávamos as madrugadas falando sobre bobagens e pertences, onde o céu era a baunilha em que a via se pôr. Eis que hoje surge você pela manhã. Novamente deixa para depois o que pertencia ao momento anterior mas já não importa mais. Seu toque em meu rosto agora é rápido, triste e sem jeito e sua pele, seda, se torna de um dia para o outro cimento em textura e mármore em calor. Apenas me levanto e ando alguns metros, tentando entender o que mudou em horas apenas. Vai ver nada mudou! Tudo foi sempre assim. acordei e depois Acordei! Dei o melhor de mim em tudo, envolto em plástico e pólvora, e vc acende um fósforo? Mas lembra de minha ultima carícia em seu joelho, ultimo deslize de meus dedos em seu cabelo, penúltimo beijo em seu rosto, e o mais breve gesto afetuoso tão somente para contigo. Ah! As pequenas coisas! Não existe nada maior....

Realmente uma pena você não saber disso!

E hoje seu perfume se esvai da ponta de meu travesseiro...

Escrito por dramatis personae às 12:10 AM
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